sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Amor Digital

Atenção internauta, prepare-se para embarcar numa linda história romântica do balacobaco, que teve início aqui, no mundo virtual. O caso de amor da professora Circe Souza Nunes da Silva de 54 anos e o economista Pedro Batista de 55 anos, é comum a tantos outros que utilizam o ciberespaço para propiciar encontros amorosos.
Antes do advento da internet, o serviço era prestado somente pelas agências matrimoniais, que funcionam como bússolas na busca do par perfeito. Ofertam aos clientes possibilidades de encontrar a tão idealizada cara metade. Por timidez ou conveniência, muitos solteiros arriscam e apostam nas firmas casamenteiras. Na era digital, o cenário virtual serve de palco para promover encontros românticos. Ao invés de esperar o cupido lançar sua flecha e decidir o destino amoroso, solteiros batem à porta de agências de casamento virtuais. Os relacionamentos que anteriormente eram através do homem físico, hoje, podem ser através das máquinas. Uma gama de ferramentas disponíveis no ciberespaço permite ao usuário opções de diferentes formas de se relacionar. Seja por chat, as tradicionais salas de bate-papo; sites de relacionamento como o fenômeno Orkut, que pode se comparar a uma vitrine onde as pessoas ficam expostas assim como manequins e também sites de encontros como o Par Perfeito. O indivíduo pode escolher o parceiro ideal, pois tem acesso as características físicas e traços da personalidade dos candidatos. E foi através do chat da UOL que Circe e Pedro tiveram contato pela primeira vez. Madrugada de uma sexta-feira e as trovoadas embalavam o encontro digital do casal. Noite chuvosa no Rio de Janeiro e ambos estavam em busca de amizades na sala de bate-papo. Ela carioca da gema e ele um legítimo baiano, que estava a passeio na cidade maravilhosa.
“Começamos a conversar, a trocar informações. Me interessei pelo papo dele. Cara maduro.
Foram horas na frente da tela do computador. Quando me dei conta, o dia estava clareando. Apesar do sono não queria desgrudar do micro.” Conta Circe.
“Eu não esperava nada daquela noite e já mais pensei que realmente isso pudesse acontecer. Já tinha ouvido falar em casos de pessoas que tinham se relacionado pela internet e deram certo, mas não imaginava que eu seria uma dessas pessoas e que um dia daria um depoimento desses. Estou casado há 7 anos com Circe. Somos felizes.” Complementa Pedro.
Uma dúvida freqüente que rola entre os internautas é quanto à veracidade do conteúdo divulgado nesses canais de informação. Se as fotos são realmente das pessoas que adotam aquele perfil ou se é algo forjado, se tudo que está escrito sobre o indivíduo realmente se encaixa na personalidade. Enfim, uma série de questionamentos atordoa os pensamentos alheios no momento de apostar numa conquista virtual.
“Mandei minha fotos e pedi a dele só por curiosidade. E ao mesmo tempo pensei: será que ele vai me mandar a foto dele mesmo ou vai me enganar? Afinal, eu o conhecia apenas pela internet e há poucas horas. Recebi a foto e achei um gatão.” Diz Circe.
Apesar das facilidades, o mundo digital também apresenta riscos. Pessoas mal intencionadas podem fazer uso desses artifícios do universo pós-moderno para por em prática golpes e estelionatos. Ou até mesmo mentes doentias, sujeitos que sofrem de patologias graves como os psicopatas.
“Mesmo eu tendo me encantado com Circe, fiquei um pouco receoso em marcar algo com ela no dia seguinte. Muitas coisas passam em uma fração de segundos em nossas cabeças. E uma das indagações foi quanto ao caráter. Ainda mais porque eu estava de férias no Rio, poderia ser um golpe, sei lá. Decidi continuar conversando pela internet por mais um tempo até resolver marcar um encontro pessoalmente.” Relata Pedro.
“Depois de uma semana de conversas virtuais, dei um ultimato. Ah, achei que ele estava me enrolando ou qualquer outra coisa do gênero. Ele pensou em golpe e eu imaginei que ele estava só querendo mesmo uma conversa para distração. Nos encontramos no calçadão de Copacabana. Lembro como se fosse hoje. Meu coração batia mais que um tambor de escola de samba em dia de carnaval. A medida que ele se aproximava mais tensa eu ficava. Me senti uma adolescente que estava experimentando o amor.” Diz Circe emocionada com os olhos marejados.
Romances como os de contos de fada são raros de se ver por ai. Esse em especial traz o príncipe na sua versão cibernética. O cupido do amor digital reservou um happy end para eles.
“Pois é, esse primeiro encontro foi definitivo para a relação. Foi só o começo. Deu tão certo que decidi me mudar para o Rio de Janeiro.” Finalizou Pedro.
por Fernanda Tuber

Nenhum comentário: